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NUTECMAR

Marcelo Gentil se destaca como sócio de empresa de tecnologia marinha em Santos

NUTECMAR é um dos pioneiros a oferecer cursos de ROV no País

O sócio-diretor do NUTECMAR, Marcelo Gentil

O sócio-diretor do NUTECMAR, Marcelo Gentil

O analista de sistemas, e sobretudo navegador, Marcelo Gentil, 50 anos, fixou-se em Santos (SP), onde pode aliar suas paixões pelo mar e pela tecnologia. Paulistano de nascimento, mas com fortes ligações com Londrina (PR), onde vive a família, inclusive o pai, Julio Gentil, artista plástico e cidadão honorário do Município, Marcelo pode ser considerado prata da casa.

Capitão-amador pela marinha do Brasil e comandante de embarcações com endosso comercial pela Royal Yachting Association do Reino Unido, com experiência de quatro travessias do oceano Atlântico e uma do Pacífico, além de diversos anos embarcado como engenheiro de bordo, imediato e comandante em megaiates por vários locais do mundo e de ter participado de diversas expedições de pesquisas submarinas, Marcelo agora é sócio-diretor do Núcleo de Tecnologia Marinha e Ambiental (NUTECMAR).

Ao lado de Eduardo Meurer e Eric Joelico Comin, Gentil comanda a empresa que é uma das pioneiras do Brasil em oferecer cursos para formação de pilotos de ROV (Remotely Operated Vehicle, sigla em inglês para veículos subaquáticos operados remotamente).

Em entrevista, ele fala sobre estes profissionais, que podem ser inseridos no promissor mercado de petróleo e gás e demais áreas ainda não exploradas no Brasil e comenta a respeito da importância desta tecnologia e diversas aplicações no ambiente marinho.

O que é um ROV?

Os ROVs são robôs submarinos de observação à distância do fundo do mar, equipados com câmeras de vídeo e sensores, operados por controle remoto. Em terra firme ou dentro de uma embarcação, o piloto vê por onde ele passa, através das imagens geradas pelo ROV, que são transmitidas em tempo real em um monitor de TV. Estes submarinos são importantes por serem pequenos e proporcionarem movimentos perfeitos ao navegarem pelo fundo do mar, podendo chegar onde os mergulhadores não alcançam, locais em que o espaço é restrito, como tubulações e partes de navios naufragados. Por isso, auxiliam no trabalho destes profissionais, principalmente em casos que ofereçam riscos.

Em que mercados o profissional, piloto de ROV, pode ser inserido?

ROV Super Gnom V2

ROV Super Gnom V2

Os pilotos de ROV podem ser inseridos no promissor mercado offshore de petróleo e gás, com a exploração de recursos em águas profundas. Também em Inspeções de cascos de navios e de cais em áreas portuárias, operações de segurança marítima e de resgate, inspeção e acompanhamento de obras de engenharia sob a água. Além disso, são importantes no monitoramento de fazendas marinhas, aquicultura e pesquisas subaquáticas.

Quais expectativas para esta profissão no País?

O mercado de pilotos de ROVs já está há tempo consolidado no segmento de exploração offshore de óleo e gás no Brasil. Mas com as novas descobertas do pré-sal muitas oportunidades ainda serão abertas. Por outro lado, os mercados inshore e inland ainda estão praticamente virgens em nosso País e quem enveredar por essas áreas tem grandes chances de se dar bem.

Como é a rotina de um piloto de ROV?

No mercado offshore de óleo e gás o piloto normalmente opera ROVs grandes, que podem pesar facilmente uma tonelada ou mais e preparados para executar trabalhos em grandes profundidades. Estes pilotos normalmente ficam embarcados, trabalhando em alto mar por períodos de 15 dias ou mais. Já os pilotos de ROV inshore ou inland são aqueles que operam ROVs menores em inspeções de cascos de navios ou estruturas de cais e em inspeções de pontes, barragens, condutos e turbinas de usinas hidrelétricas, piscinas de resfriamento ou acondicionamento de material radioativo em usinas nucleares, vistorias de sistemas de tratamento de água e de esgoto, aquicultura e fazendas marinhas etc. Há ainda pilotos que operam ROVs em missões de policiamento marítimo e segurança portuária e em pesquisas biológicas, oceanográficas e arqueológicas subaquáticas. Enfim, havendo água, não há l imites para a aplicação dessa tecnologia.

Um piloto de ROV precisa ser mergulhador, engenheiro?

Ninguém precisa ser mergulhador para operar um ROV, uma vez que é o robô quem mergulha por nós. O segmento de óleo e gás, aqui no Brasil, exige que o piloto ou trainee seja inscrito no CREA, com, no mínimo, formação técnica em áreas como eletricidade, eletrônica, hidráulica, mecânica ou mecatrônica. Para ingressar em um curso de piloto de ROV em outros países, basta que o aluno comprove ou ateste experiência em alguma dessas áreas. Ou seja, o único País que exige o credenciamento em um órgão de classe para o ingresso em um curso ou na profissão, que eu saiba, é o Brasil.

O que você acha desta exigência?

Se por um lado isso pode ser adequado para garantir que o candidato possua a expertise necessária para resolver problemas técnicos com um robô que deixa de funcionar em alto mar – situação em que ele mesmo tem de ser mecânico e eletricista -, por outro lado tal exigência engessa o mercado. Por exemplo: um aluno oceanógrafo, que fala inglês fluente e é especialista em acústica submarina – e, diga-se de passagem, sonares e sistemas de posicionamento de ROVs são pura acústica submarina – que se formou como piloto de ROV, apesar de toda sua experiência e vivência com equipamentos sofisticados em alto mar, teria menos chances no mercado de óleo e gás do que um técnico em hidráulica de 19 anos de idade que nunca subiu em uma embarcação, mas que tem o CREA. Uma empresa internacional que opera no Brasil contrataria o oceanógrafo na hora para trabalhar nos Estados Unidos, mas não poderia fazê-lo por aqui. O que im porta, em meu entender, deve ser a experiência do candidato, sua formação, sua intimidade com o mar e com o isolamento, seus cursos técnicos, ou seja, o conjunto de seus conhecimentos e habilidades. O registro no CREA deveria ser mais uma ferramenta para atestar habilidades específicas através de uma entidade renomada, mas jamais deveria ser fator limitante. Caso contrário o mercado de óleo e gás pode perder chance de ter grandes cérebros, com experiência no mar, em seus quadros de funcionários.

Como são os salários nesta profissão?

A área carece de profissionais e, por isso, trata-se de uma atividade bastante valorizada. Um trainee pode começar recebendo um salário de até R$ 3 mil. Já quando piloto formado pode vir a ganhar em média R$ 10 mil por mês.
E com quantos anos de dedicação pode-se chegar a R$ 10 mil mensais?Isso depende muito da política da empresa contratante e das qualificações do candidato ou profissional, claro. Vale deixar claro que o salário de um piloto pode ser menor, ou, até mesmo, muito maior do que R$ 10 mil. Um trainee pode levar entre 2 e 5 anos para se tornar um piloto no mercado offshore. Adiantar o processo depende muito de sua competência e formação. Já quem opera ROVs em outros segmentos normalmente trabalha por empreitada, sem vínculo empregatício com o contratante. É normal em um bom contrato que o piloto chegue a ganhar R$ 3.000 em uma semana de trabalho, fora as diárias de aluguel de equipamento e despesas de hospedagem e alimentação. Serviços mais longos, ganhos maiores, claro.

Qual o índice de empregabilidade nesta área? Há muitas vagas?

No segmento offshore é muito significativo e ficará cada vez maior nos próximos anos. Porém, candidatos que não dominam a língua inglesa têm chances bem menores na área, onde é comum trabalhar com equipes internacionais. Os demais segmentos são muito promissores, já que são pouco explorados em nosso país e também menos restritivos.

Podemos dizer que piloto de ROV é uma das profissões do futuro?

Como em outras profissões, quem começa primeiro, atinge o topo antes. Poucas profissões são tão fascinantes e de futuro tão promissor quanto a de um piloto de ROV no Brasil.

NUTECMAR – O Núcleo de Tecnologia Marinha e Ambiental (NUTECMAR) é formado por uma equipe multidisciplinar e especializada com vocação educacional e tecnológica. Seus principais objetivos são a capacitação de mão-de-obra qualificada e a busca por soluções tecnológicas que contribuam com a melhoria das condições ambientais e que confiram maior facilidade e segurança à realização de tarefas em ambientes marinhos ou em outros corpos hídricos. A unidade oferece cursos para formação de pilotos de ROV e nas áreas ambiental e marinha.

O NUTECMAR fica na Avenida dos Bancários, 76, cj. 14, na Ponta da Praia, em Santos (SP). Outras informações pelo telefone (13) 3345-6766 e no site http://www.nutecmar.com.br.

Fotos: Bia Boleman

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